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DIAS PARA O CARNAVAL!

Felipe Araujo/LigaSP

Babu exalta comunidade do Morro e promete impactar com enredo social

Carnavalesco do Morro da Casa Verde falou sobre volta à escola e tema planejado para Carnaval 2019

14/05/2018 Redação Liga SP - Foto: Felipe Araujo/LigaSP

O bom filho à casa torna. O filho, no caso, é Babu Energia. A casa, o Morro da Casa Verde. De volta à agremiação após quatro anos, o último deles a serviço da Uirapuru da Mooca, o carnavalesco sabe o tamanho da missão que tem pela frente.

Em seis anos de Morro, o melhor resultado de Babu foi o terceiro lugar no Grupo de Acesso em 2011. A escola quase subiu para o Grupo Especial, mas hoje está no Grupo de Acesso 2 e a luta é para retomar uma vaga na segunda divisão. O trunfo, em sua visão, é a mistura de tradição com juventude - e a força da comunidade.

Pessoa, como seu próprio nome artístico já diz, de energia alta, o carnavalesco é daqueles que quer se sentir bem fazendo o que gosta. Por isso promete que o enredo do Morro no Carnaval 2019 terá cunho social e fará as pessoas pensarem. E o recado está dado: "a gente vai impactar".

Liga SP - Qual o balanço que você faz do Carnaval 2018?
Babu Energia - No Carnaval 2018 eu estava no Uirapuru da Mooca. Foi um encontro maravilhoso, porque eu tinha vindo de uma outra agremiação mais voltada para as questões religiosas, que era a Dom Bosco, e a minha chegada no Uirapuru me possibilitou, de cara, fazer um enredo afro. Eu estava com muita vontade de falar de orixás e de repente a comunidade abraçou aquele projeto e a gente conseguiu levar um enredo para a avenida com muita garra, muita determinação. O resultado foi maravilhoso. Se a gente pensar que a escola ficou no oitavo lugar em 2017 e pulou para o sexto ali disputando acirradamente um quinto lugar, eu acho que foi um resultado muito bom tanto para mim quanto para a comunidade. O saldo em relação ao Carnaval passado é muito positivo, a ida das escolas de samba do Grupo 2 para a Liga gerou, vamos dizer assim, um glamour para o samba. Não que a UESP não nos desse isso, mas a Liga tem uma condição administrativa melhor e gera um certo conforto a mais para as escolas. Então isso foi muito positivo também, até porque o componente se sentiu mais atraído pelo Grupo. Hoje é Acesso 2 e essa conotação mudou a visibilidade do Grupo e foi um adendo muito positivo para todos nós sambistas. Pulando essa parte, a saída do Uirapuru foi sem problema nenhum. A saída se deu pelo desafio de reencontrar o Morro da Casa Verde e eu fiz a opção em fazer essa retomada, respeitando eticamente toda a condição de me retirar da Uirapuru e vir para o Morro da Casa Verde. Foi tudo muito tranquilo a saída de lá e a vinda para cá.

Liga SP - Como foi esse contato? Você já tinha essa vontade de voltar, a escola veio até você?
Babu Energia - Eu acho que foi um reencontro natural. A escola me convidou para retornar após seis Carnavais consecutivos que aqui eu fiz e quatro anos distante. Mas, como também foi uma saída muito tranquila, acho que ficou essa porta aberta e haveria sim a possibilidade desse reencontro. Porque quando eu saí da escola não me esqueço que falei "quem sabe um dia a gente se reencontra". Assim como foi também na Uirapuru. Eu acho muito bacana que os términos de contratos da figura de carnavalesco sejam dessa forma, porque a gente tem aí um espaço muito pequeno. Então eu acho que você tem que lidar de uma forma brilhante para continuar brilhando durante toda sua carreira o tempo que você desejar permanecer no Carnaval. E essa é minha luta, entrar e sair pela porta da frente. Essa volta o destino já tinha preparado. Existia sim a vontade de retomar e fazer um Carnaval com uma leitura verde e rosa e acho que existia também a vontade da própria diretoria, porque a nossa parceria foi de sucesso e nessa retomada a gente quer agigantar ainda mais. Eu adquiri muito mais experiência e acredito que essa diretoria, essa nova diretoria, também. É um encontro para um grande projeto.

Liga SP - Como você está percebendo a escola já nesses primeiros passos? Mudou muita coisa de quatro anos para cá?
Babu Energia - Em termos de gestão, sim. Acho que a escola amadureceu bastante. A ideia de ter o Emerson Campos, que é o filho da Dona Guga, na presidência, juntamente com a Cláudia, que é nossa vice-presidente... Acho que é uma cabeça nova, com novas vontades, com uma certa ganância e isso é muito positivo. Não que a Dona Guga não tenha, mas acho que ela, como presidente de honra, vai manter a essência da raiz e essa força mais jovem vai trazer esses resultados que essa escola e essa comunidade tanto desejam.

Liga SP - O Morro da Casa Verde vem de um terceiro lugar. O que vocês já estão planejando? Você falou que antes tinha vontade de fazer um enredo afro. Agora está com vontade de falar sobre o quê?
Babu Energia - Agora a vontade é fazer um enredo que fale da questão atual. A gente pretende trazer um enredo emblemático, que era uma das características da nossa parceria, haja visto que tenho enredos aqui no Morro da Casa Verde como "De quem é essa bola?" e "Um grito de liberdade" (2010 e 2013, respectivamente). Eu quero retomar essa ideia de enredos que façam as pessoas pensarem que eram feitos aqui na minha gestão. A ideia é que a gente faça um enredo de cunho social, que a gente grite, fale e faça as pessoas pensarem.

Liga SP - Já está definido?
Babu Energia - A gente está em negociação, eu com a escola. A gente está discutindo, mas o caminho deve ser esse.

Liga SP - Quando vocês imaginam que vai ser esse e abrir para a comunidade?
Babu Energia - Acho que em mais três semanas a gente divulga esse enredo e a proposta de trabalho. Mas o que eu posso garantir é que as pessoas vão se surpreender, porque quando você faz um trabalho motivado o resultado é efervescente. Então eu acredito que a gente vai impactar.

Liga SP - Como vocês imaginam ser o caminho para pegar essa única vaga para o Grupo de Acesso?
Babu Energia - Hoje o resultado de Carnaval está muito ligado com a força da comunidade. A gente sabe que plasticamente as escolas todas estão muito acirradas, porque contam com o brilhantismo dos profissionais, dos carnavalescos. Então a gente hoje tem ali a saída plástica, a gente consegue dar o jeitinho brasileiro, o que não tem no bolso acaba tirando da cabeça. Eu acho que é exatamente a condição de uma comunidade que esteja comprometida com o canto, a dança, a evolução da escola. Acho que isso garante um campeonato hoje. Porque eu percebo que o olhar do julgamento do Carnaval está muito voltado para a questão técnica, o chão. Então nós vamos trabalhar pesado no canto e na dança para garantir essa vaga.

Liga SP - E pelo que está sentindo nessas primeiras semanas de retomada a comunidade, vinda do resultado passado, está empolgada?
Babu Energia - Eu vou falar com uma certa intimidade. Eu acho que a comunidade do Morro é muito guerreira e é uma escola muito tradicional e que tem esse chão. Mas a gente sabe que Carnaval se ganha na pista e qualquer uma pode ter ali pequenos erros que te tire esse resultado ou te dê dentro do que acerte. Mas o Morro é uma escola que tem realmente essa força de comunidade e eu estou muito apegado a isso para fazer essa grande espetáculo junto com eles.